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Posts Tagged ‘São Paulo’

Quem diria?

Em uma bela manobra, o curador da 29ª Bienal de Arte de São Paulo, Moacir dos Anjos, vai trazer para dentro do prédio da Bienal – como convidados – aqueles que foram expulsos do mesmo espaço em 2008 enquanto criminosos ou  invasores arruaceiros: a turma do pixo. Ou da pixação, se preferir, assim mesmo com X. Leia aqui e tire as suas conclusões.

Independente de qualquer coisa, vale lembrar: cada linguagem, forma de expressão ou processo da arte é reflexo do seu tempo. Elas se sobrepõem ao que já existe, pois há espaço para todos, para depois se desdobrar em múltiplos caminhos.

Para alguns pode ser absurdo comparar. Mas o hoje novamente badalado Caravaggio, um gênio inquestionável e criador das obras acima, foi durante séculos taxado por muitos como um mero arrivista social – a despeito da concepção do chiaroscuro, por ele consolidada, há mais de 400 anos. Ao mesmo tempo que ele trabalhava para a Igreja Católica para se proteger das bobagens que cometia, segundo alguns historiadores, ele também trouxe a fé novamente down to earth, aproximando a religião das ruas e colocando mendigos e prostitutas como modelos de seus quadros. O mundo gira…

Alisson Avila

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carroceiro vira seu instrumento de trabalho na Vila Madalena...

...e um sujeito fica parado no meio da ponte nova estaiada...

...enquanto espera alguém que socorra o seu carro

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O Governo do Estado de São Paulo, naturalmente com os dois olhos mirando as eleições de 2010, não anda com mixarias quando o assunto é publicidade massiva. Sobram exemplos de longos comerciais institucionais no horário nobre, em quase todos os canais abertos, para mostrar como o governador José Serra está preparado para qualquer desafio político no ano que vem. Se o Maluf disse que foi ele quem descobriu o pré-sal, por que o Serra não pode pensar em algo tão grandiloqüente quanto? É melhor pensar bem mesmo – porque, independente de qualquer escândalo, o presidente Lula é a tag política da hora em todo o planeta e vai ser difícil superá-lo tão cedo.

Enfim, voltando: o governo de SP começou a veicular há poucos dias uma imensa propaganda de TV (2 minutos de TV, ainda mais no break, são uma eternidade) falando da expansão do metrô e das conexões do transporte urbano da cidade. Tudo corre muito bem no infinito comercial, apresentado por Dan Stulbach, até que uma dança no final (um escancarado mix de “Slumdog Millionaire” – “Quem quer ser um Milionário?” no Brasil – com a dança da T Mobile) gera um pequeno constrangimento alheio.

Até os anos 90, tudo bem com este tipo de semi-clonagem de peças gringas. Mas hoje é tão fácil saber o que acontece em outros lugares que a piada perde a graça. Não conseguimos descobrir a agência responsável pela peça, mas assista ao material e tire suas conclusões.

Começamos pela dança de “Slumdog Millionaire”:

Agora, a dança da T Mobile:


Por fim, o anúncio do governo paulista (vai levar um minuto e meio para a dança começar na Estação da Luz…):

Alisson Avila

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…duas imagens bem representativas do desafio que cidades como São Paulo tem pela frente:

14h30 de hoje: atropelamento na Vila Madalena (com todo o respeito às vítimas pelo snapshooting: não somos um blog sensacionalista nem ganhamos dinheiro com isso)
14h30 de hoje: atropelamento na Vila Madalena
(com todo o respeito às vítimas pelo snapshooting)

18h30 de hoje: engarrafamento na nova ponte estaiada da zona sul, vista (com zoom) da janela da Aktuell...
18h30 de hoje: engarrafamento na nova ponte estaiada da zona sul, vista (com zoom) da janela da Aktuell…

...e a ponte foi construída, por quase o dobro do orçamento original, para solucionar as conexões de trânsito entre os dois lados do Rio Pinheiros
…e a ponte foi construída, por quase o dobro do orçamento original, para solucionar as conexões de trânsito entre os dois lados do Rio Pinheiros

Fazer uma cidade como São Paulo andar, sendo vítima dos problemas crônicos de planejamento urbano que já comentamos aqui, não é uma tarefa fácil. Especialmente após as notícias de hoje, alusivas à data, dando conta do mais de 1 milhão de veículos adicionados ao trânsito paulistano no último ano.

O típico comentário curioso da matéria, feita por Guilerme Balza, é:

“Se todos os veículos (de SP capital) fossem colocados na rua ao mesmo tempo, seriam necessárias duas capitais e meia, levando em conta que a cidade possui 16 mil km de vias e considerando que o tamanho médio de um veículo é de aproximadamente 6 metros. Enfileirados, os veículos dariam uma volta completa no planeta Terra, que possui cerca de 40 mil km de circunferência”.

Bicicleta? Mesmo desconsiderando o relevo acidentado da cidade, vale ler também esta matéria, mostrando as condições da única verdadeira ciclovia de São Paulo (foto de Haroldo Ceravolo Sereza para o UOL), ironicamente chamada de “Caminho Verde”:

Veja que convidativa a ciclovia da Radial Leste
Veja que convidativa a ciclovia da Radial Leste

Não vamos nos esquecer de COBRAR dos políticos em que votamos por mudanças. Tem que ligar, tem que escrever, tem que incomodar. Economize um tweet e um mail por dia e troque os dedos e o tempo por uma ligação para o gabinete do vereador, do deputado, do senador.

Adote uma simples e adequada tática de guerrilha psíquico-política. Ou se candidate, com uma plataforma decente.

Se você trabalha com marketing, idéias de arrecadação de verba para a campanha e bons approaches junto aos eleitores não vão faltar. Quem se habilita?

Alisson Avila

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Certamente não sou  único a me perguntar: por que São Paulo não segue o exemplo de outras grandes metrópoles do mundo e faz do seu transporte público, especialmente o metrô, um símbolo da cidade – com um posicionamento e linguagem espertos, urbanos, amigos da cidade, testemunhas do seu dia-a-dia e assim por diante?

Enquanto nós viajamos para o outro lado do oceano ou do hemisfério para dizer que passeamos no subway de Nova York, ou no tube antigo de Londres (que aliás está em processo de renovação dos seus engraçados estofamentos aveludados, leia aqui e aqui), temos em SP um sistema impecável, limpo, organizado, bem mais moderno… e que parece não ter interesse em elevar seu posicionamento e ter um mínimo de graça, de “charme” (ui), de simbologia da vida urbana. Vide o básico: não é tão simples assim achar um mapa da rede paulistana fácil de baixar na internet. Alguém nos diga se houver aplicativos disso por aí.

(Será que é porque sofremos de alguma síndrome, que determinou que transporte público é ‘coisa de pobre’ e chique mesmo é ficar sozinho dentro de um carro no engarrafamento? Basta conferir o caótico sistema de ônibus da cidade para ter certeza deste status quo, infelizmente. Ficamos naquele dilema Tostines: o poder público não qualifica os ônibus porque a classe média não anda neles, ou vice-versa? É como a notícia recente da Folha de S. Paulo, dizendo que o eixo da Via Funchal, ou da Faria Lima – Berrini, têm mais helipontos do que pontos de ônibus.)

Enfim. Tudo isso para indicar este link, postado ainda no ano passado, com uma série de dicas realmente bacanas para melhor usar o metrô de São Paulo. Entre macetes básicos e já conhecidos aos mais sofisticados (do tipo, qual o vagão certo para descer perto da saída de cada estação?), vale a pena conferir.

Enquanto isso, as obras da linha amarela do metrô paulistano dão aquele show de relações públicas: mortes na obra, engarrafamento permanente em Pinheiros, casas que afundam, poucas explicações e assim por diante. E a linha não aparece na maioria dos mapas oficiais na internet – mesmo os que mostram a futura linha lilás.

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Enquanto isso #2, o underground londrino vende camisetas, mapas para colocar na parede, um site vivo… e chama artistas para recriar seu logo, de 100 maneiras diferentes, para comemorar um século de funcionamento.

(E os táxis da cidade distribuem um guia próprio, dobrável, onde celebridades e pessoas comuns contam seus causos com os motoristas e explicam por que andar de cab é legal, mesmo com aquela cara de furgão de funerária que os táxis de Londres têm.)

Sim, políticos, branded content também funciona para serviços públicos. E como.

A prefeitura ou as autarquias ainda não perceberam que São Paulo não é apenas turismo de negócios, mas também turismo urbano, de compras, de cultura, de balada e de gastronomia para todo o Brasil e exterior? Em tempos de comunicação integrada, isso é muito mais do que uma campanha de mídia paga dizendo que “São Paulo é tudo de bom”.

Alisson Avila (valeu Mari Eller!)

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