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Posts Tagged ‘subversão’

Houve um tempo, hehehe, e não tão distante assim, em que as manifestações culturais ainda não eram imediatamente absorvidas pelas marcas e pelo consumo. E muito menos eram criadas primeiro pelas próprias marcas, para depois se disseminarem por aí. Nestes tais tempos, a “experimentação de um produto” poderia inclusive ser um acontecimento realmente revelador, para dizer o mínimo.

Mas sejamos realistas: não vamos nos iludir achando que isso é coisa de buzz do século 21. Estes experimentos sociais e políticos que criam uma opinião pública relativa a causas, valores ou experiências não são de hoje: o RP ideológico com o objetivo de criar um imaginário já comia solto desde tempos imemoriais. Desde antes da Bíblia, ela própria um exemplo perfeito disso. Basta ver algumas pesquisas recentes, que vêm provocando o revisionismo histórico de coisas que pareciam definitivas na cabeça do status quo global, para percebermos isso – como comenta este artigo recente do caderno Alias do Estadão.

Voltando aos tais tempos nem tão distantes, sabemos que os anos 1960 foram decisivos para a cultura contemporânea global, sobretudo a ocidental. E eis que o portal Wolfgang´s Vault nos presenteia com um magnífico registro deste período, definitivo em nossa época pela legitimação permitida aos pequenos comportamentos sociais paralelos. Estamos falando do começo da chegada do underground ao mainstream nos tempos contemporâneos, o que ofuscaria para sempre os dois lados da moeda.

Um exemplo sonoro das epifanias, ou no mínimo um pouco daquele shuffle-hedonismo analógico que marcou a busca livre e randômica de experiências sensoriais aleatórias pelos jovens daquele momento histórico, pode ser sentido literalmente no histórico show do Grateful Dead (!) disponibilizado no site. Eles, os avós do psy trance em termos de proposta, na San Francisco em 1966.

"Vai um sampling aí?"

Resumo da ópera: de um lado de Frisco, o epicentro hippie de então (estamos falando de três anos antes de Woodstock), estavam as festas classe média de entretenimento, de introdução a esta cultura ainda escondida, em uma versão pequeno-burguesa do bordão renatorussiano “ia pras festas de rock pra se libertar”. Do outro lado na cidade estava gente bem mais positivamente perturbada, tipo os Merry Pranksters, fazendo festas regadas a LSD. Na época legal e liberado para venda, o alucinógeno químico era um primo da água com gás, das tubaínas e do arroz de festa nos “Acid Tests“.

Este hoje simbólico show, juntando as duas facções, representa uma verdadeira ruptura. Pois junta de uma vez por todas a tradição, a família e a propriedade que já ouvia rock nos Estados Unidos ao povo mais subversivo ou simplesmente anárquico. Naturalmente, não precisamos explicar as conseqüências disso tudo para a cultura e a sociedade até hoje. Ouça e aproveite.

até 1965, você encontrava na farmácia

PS: o nome do post? Sandoz (hoje da Novartis) é o laboratório que lançou o LSD nas prateleiras das farmácias até 1965, através da descoberta do químico suíço Albert Hoffman em 1938 e que foi criminalizada pelas Nações Unidas somente a partir de 1971. E, antes de ser uma faixa de um disco de lados B dos Smashing Pumpkins, “A Girl Named Sandoz” é também um lado B, mas do histórico single “When I was Young”, lançado por Eric Burdon & The Animals em 1967 no meio desta bagunça comportamental toda.

Alisson Avila

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Slide1Não dá pra deixar passar esta notícia: lembra do Pirate Bay, aquele site de troca de arquivos que causou uma bagunça na Suécia e acabou ajudando a eleger um deputado no parlamento europeu? Colocamos um post sobre isso aqui.

Pois então: o sistema foi comprado estes dias pela companhia sueca de games Global Gaming Factory (GGF) por quase 8 milhões de dólares.

Como sempre, os suecos, os tipos mais arrojados em negócios e comércio na internet, prometem legalizar o serviço peer to peer e usar o sistema para potencializar o seu core business – fornecer games e aplicativos para cyber cafés e casas de jogos digitais. Vai vendo…

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ADBUSTERS

Nada mais divertido do que receber um e-mail do pessoal da Adbusters no meio do Festival de Cannes. No momento em que mais do que nunca marcas são colocadas como seres com personalidade própria, o alter-ego das companhias, vejam o que eles nos contam aproveitando o gancho da independência dos Estados Unidos na semana que vem:

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