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Posts Tagged ‘Tyler Brûlé’

Enquanto o velho mercado editorial chora suas pitangas (e o novo mercado editorial joga pedras nesta Geni, na expectativa de tomar completamente o seu espaço >> não vamos nos iludir que a internet ainda represente “liberdade” no campo do controle da informação), o ex-fundador da Wallpaper, Tyler Brûlé, nada de braçadas globalmente com o modelo de negócios da Monocle, já bastante difundido sob o clichê “Economist meets Wallpaper”.

Mas é mais do que isso. Como conta esta matéria do The Guardian, um dos sustentáculos do projeto liderado pela revista, por um site e pouquíssimas interações em redes sociais são as suas… lojas. A marca Monocle é tratada como uma grife e tudo o que ela faz é absolutamente perfeito no acabamento e visual.

Tanto é assim que a revista abre agora um escritório em Hong Kong ancorada na sua loja própria (a quarta da rede), sediada junto da redação, vendendo de Blackberrys personalizados às já famosas bolsas da revista, que se tornaram uma importante fonte de faturamento.

No meio disso tudo, objetos de design, roupas, sapatos, livros e tudo o mais. Com a marca Monocle. E quase sempre com uma outra marca parceira por trás ajudando a pagar a conta.

Fancy demais para o seu gosto? Para eles, está rendendo bastante dinheiro – a ponto de terem crescido 30% em faturamento em 2009, em plena ressaca da crise, em plena crise do meio impresso.

O segredo está na esência: uma revista impecável, publicada dez vezes por ano, dona de um excelente projeto tátil e gráfico – e repleta de matérias que, se nem sempre são aprofundadas, ao menos tratam de temas interessantes para quem quer saber de negócios e assuntos internacionais, mas ainda não abre mão de algumas positivas futilidades.

Revista, conteúdos ramificados, produtos com marca própria e em breve um programa para a BBC World Channel não são o suficiente para o novo barãozinho da mídia global, odiado por alguns e admirado por muitos – a ponto de ter um blog de uma “fã” dedicado ao seu estilo de vida. Enquanto novos e velhos mercados editoriais brasileiros discutem hipocritamente (ainda!) a divisão entre editorial e comercial, assunto que já comentamos aqui, a Monocle é capaz de juntar dez publieditoriais em uma única edição – e de um modo que você sabe que é jabá, mas nem dá bola de tão bem feito que é. A PSFK fez uma bela análise de caso no ano passado. Estabelece-se assim uma relação entre revista e leitor, e não entre revista e anunciante. E é isso que importa: estou lendo a revista e sei que este conteúdo foi pago por alguém. E daí? Se é bem feito, eu sei disso, não me sinto enganado e o conteúdo é útil pra mim? É melhor assim do que ver estes colunistas de jornalões (e sitezões, e blogzões…) que se dizem arautos da transparência e recebem fee mensal de empresas jabazentas direto em suas contas bancárias.

E não é só isso. Brûlé ainda é sócio de uma espertíssima empresa de consultoria, design, branding e conteúdo, a Winkreative, que só potencializa todas as interações possíveis entre suas empresas e marcas envolvidas, e ainda colocou dinheiro no Dopplr, uma rede social para viajantes globais tipo ele. 

Um dos modelos de jabá do bem da Monocle são as suas “Survey Editions” embarcadas nas revistas. E hoje, no Hotel Fasano do Rio, Brûlé e sua turma recebem convidados para a festinha de lançamento da pesquisa especial sobre o Rio de Janeiro.  E sem nada de guerra civil: é só a parte boa. Porque eles não são bobos nem nada e sabem que vem muito dinheiro por aí em direção à Cidade Maravilhosa.

Alisson Avila

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E pensar que o varejo sempre foi o primo pobre-rico da publicidade. “Pobre”, porque não dava glamour nem prêmios; “rico”, porque sempre garantiu comissões e BVs em escala para as agências.

Hoje, vide até mesmo a criativa presença do trade marketing no universo da ativação de marcas, o cenário está bastante diferente. O varejo deita e rola com design, ações especiais, intervenções urbanas, aproximação com moda (seja qual for a categoria de produto ou serviço), parcerias com artistas e estilistas, Uniqlo patrocinando Cannes (quem diria), revistas decentes cobrindo o setor…

E o ponto é esse. O pai da Wallpaper, Tyler Brûlé, já havia lançado lojas e produtos da sua nova filha, a Monocle, em diferentes países e com diferentes lojas. Lá, o que poderia ser uma simples página espelhada de uma revista comum com novidades do varejo, por exemplo, é tratado na Monocle como “The Style Survey”, um encarte especial da revista valorizando todo o pequeno comércio inventivo pelo mundo e trazendo as novidades de design e produtos. Varejo e extensão de marca como lifestyle.

Com um pequeno gap, finalmente a própria Wallpaper faz o mesmo, na remodelado “supermercado de design” La Rinascente, de Milão. A loja abriu no último dia 10 de novembro e se utilizou de toda a rede de correspondentes da revista para estabelecer parcerias na venda e na produção customizada de itens. Porém, ao contrário da Monocle, diversos dos produtos da loja têm uma cara bem Ikea – Tok & Stok – Etna, no sentido mais genérico do que isso quer dizer. Muita coisa oriental e escandinava, naturalmente. Merecem destaque:

radio

Rádio de madeira, de Singgih Susilo Kartono

abajur

A luminaria-cabide BarDeco, de Lina Meier

relogio

Relógio de parece Two Timer, da Industrial Facility e Sam Hecht

moedor

Moedores de sal e pimenta da Norway Says, para a Muuto

aquecedor

Aquecedor de Naoto Fukasawa para a Plus Minus Zero

Alisson Avila

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